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Desde: 15/06/2005      Publicadas: 8      Atualização: 13/08/2005

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 artigos e biografias

  03/07/2005
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A criação de um mito: Martins Fontes.

dados biográficos e referências de pessoas que conviveram com o poeta.

No início deste ano, no SESC de Santos, ouvi uma palestra da acadêmica Edith Pires Gonçalves Dias, de 86 anos, que há 17 dedica-se a divulgar a obra de Martins Fontes. Ela escreveu: Vivendo Martins Fontes, uma biografia sobre a vida do poeta e médico Santista. A partir de então comecei a pensar no imenso carisma deste admirado santista. Meu pai falava dele com entusiasmo, bem como inúmeras outras pessoas que o conheceram pessoalmente, ou tiveram o privilégio de com ele compartilhar a intimidade de seus lares. Caso de Edith, que relata que, quando nasceu, o poeta escreveu versos homenageando seus olhos, no verso de um receituário destinado a sua mãe. Este homem teve, sem sombra de dúvida, uma presença forte, para deixar marcas tão profundas e lembranças carinhosas na memória de tantas pessoas que o conheceram de perto ou com ele conviveram intimamente. Uma de suas frases ficou famosa na região, e continua sendo repetida por muitos, até hoje: "Como é bom ser bom!" No entusiasmo de Edith, e de outros tantos que cultuam a memória do poeta, percebe-se a alegria de ter um ídolo, um modelo a seguir. Penso seu esta uma necessidade bem humana: mirar-se em um mentor. Daí nasce o herói. E quanto mais tempo se passa após a morte do herói, só as boas memórias são resgatadas, exageram-se os traços positivos, esquecem-se quaisquer características que possam diminuir a imagem idealizada. Ao cultuar o herói, os narradoras adquirem por tabela um pouco de seu brilho, compartilham de sua glória, sentem-se engrandecidos por terem feito parte da história do herói. No caso especial de Martins Fontes, temos ainda de considerar que sua profissão de médico convidava ao forte comprometimento emocional, de gratidão, ou mesmo dependência, daqueles que utilizavam seus serviços profissionais. Os bons profissionais da área médica são, com muita freqüência, associados inconscientemente aos pais, fontes primeiras de atenção e cuidados, mormente naquela época, em que as visitas eram domiciliares, e o médico o era da família. Sendo o médico rico, como era o caso de Martins Fontes, o não cobrar consulta não lhe fazia diferença alguma no bolso, mas sem dúvida criava um vínculo poderoso entre os beneficiados pelo seu desprendimento. Sem dúvida Martins Fontes escrevia com maestria e este século promete coloca-lo em lugar de destaque em sua própria terra: fala-se na criação da Casa Martins Fontes, no próprio imóvel, restaurado por um particular, onde o poeta viveu; fala-se também da edição de suas obras completas, infelizmente por uma editora de Portugal, pasmem! De Martins Fontes, diz Cassiano Ricardo, em 1959, sobre Poesia: "...não obstante sua confessada obediência à técnica vigente, era um incontido, tremendamente irrequieto, curioso, novidadeiro; não aceitou a língua comum, tentou uma linguagem caracteristicamente sua, uma espécie de dialeto poético e, neste ponto, antecipou, de algum modo, a pesquisa de hoje sob o aspecto da renovação ou invenção vocabular." Outro crítico, Amadeu Amaral, assim se refere ao poeta: "O seu traço distintivo é a exuberância, ou o entusiasmo, um entusiasmo persistente e difuso, que é como a perene palpitação da alegria de viver e da ansiedade de viver: entusiasmo pela vida, pela beleza, pela arte, pelo amor, pela glória, entusiasmo por tudo, entusiasmo cósmico. A sua palavra é ardente, colorida, torrentosa. O seu olhar fuzila. O seu gesto móbil e nervoso pinta, desenha, sublinha, realça, limita, vinca as idéias e as intenções, completa o que a sua palavra deixou suspenso. Todo o seu ser pede, exige, impõe, em tudo, relevo, precisão, recorte e cor. A sua alma não tem desvãos nem obscuridades. O seu caráter não tem dubiedades, nem reticências. As suas dores são dores, as suas cóleras são cóleras, as suas alegrias são alegrias, tudo extreme e típico, sem ligas nem concomitâncias, sem as indecisões dos estados complexos e intermediários." Dados biográficos: José Martins Fontes, poeta brasileiro, nascido em Santos, em 23 de junho de 1884, da união entre o médico Silvério Martins Fontes e Isabel Martins Fontes. Como médico, notabilizou-se como conferencista e foi tisiologista da Santa Casa de Misericórdia de Santos e destacado humanista. A partir de 1924 tornou-se correspondente da Academia de Ciência de Lisboa. Morreu em 25 de junho de 1937, em Santos, onde está sepultado no Cemitério de Paquetá. Conhecido carinhosamente pela população santista como Zezinho Fontes, Martins Fontes começou a escrever muito cedo e, aos oito anos de idade, teve seus versos publicados em um jornal manuscrito, chamado A Metralhadora. Simples e afável nas maneiras, tratando a todos com jovialidade e fidalguia que o tornaram popular. Possuidor de uma delicada sensibilidade e de uma esmerada educação, sabia fazer de cada criatura que encontrasse um admirador exaltado de suas qualidades de poeta, médico e ser humano. Martins Fontes estudou nos melhores colégios de Santos e Jacareí, até transferir-se para o Rio de Janeiro. Lá, doutorou-se em Medicina, em 1906, e conviveu com poetas como Olavo Bilac e Coelho Netto. Em 1910, foi auxiliar de Oswaldo Cruz na campanha de saneamento do Rio de Janeiro. Em 1914, mudou-se para Paris (França) e lá fundou, com Olavo Bilac, uma Agência Americana para serviços de propaganda dos produtos brasileiros na Europa e em outros países. Boêmio, irrequieto, marcava sua presença por onde passava. Poeta primoroso, foi amigo de Olavo Bilac, Coelho Neto e Emílio de Menezes. Morava na Pensão da Conceição, no Catete. Diplomou-se em 1907, tendo sido orador da turma. Sua tese, defendida em 1908 - "Da imitação em síntese", foi um sucesso de bilheteria, tal o número de amigos e colegas que afluíram ao local de argüição. Diplomado, foi para o Acre, onde ficou pouco tempo. Voltou em 1911 para sua terra natal que ele tanto amava, trabalhando na Santa Casa. De simpatia irradiante, era sempre cercado pelos seus colegas, pois a prosa do poeta era sempre disputada. Paulo Fraletti (1966) em "Vocação Hipocrática" conta-nos que, certa feita, surpreenderam-no no pátio da Santa Casa de Santos, cercado de mulheres magras e doentias, apertando no peito seus filhos maltrapilhos e famintos. Mulheres que iam buscar leite, pago com a exibição da miséria em que viviam seus rebentos. Leite que, pouco, não chegava para todos. E, Martins Fontes nervoso, cólerico, apoplético, de braços abertos para o céu, exclamava: "Deus! Ó Deus! Se existis, porque ao me fazerdes médico e poeta, duas inutilidades absolutas, não me fizestes uma vaca holandesa e de úberes fartos". Martins Fontes cantou em versos a riqueza das flores, da fauna, dos mares, dos rios e das mulheres do Brasil. Como poucos, soube cantar sua terra natal, transformando-a em tema do lirismo e de saudade. Ele mesmo falou em Paulistania (1934): Vivi nessas praias Espero que, um dia Aqui me sepultem, me deixem ficar Exposto, desnudo, como eu bem queria, Num seio de areia, defronte do mar. O jornal A Tribuna, Santos/SP, quando de sua morte, publicou entre outras, estas palavras de homenagem: "A cidade de Santos vestiu-se de luto, porque acaba de desaparecer aquele que, na verdade, era o Sol da nossa terra" - Archimedes Bava. "Neste momento, só posso render ao meu queridíssimo Fontes a homenagem do silêncio" - Galeão Coutinho. Sua obra: Escreveu: Verão(1901); Rosicler; Vulcão; Marabá; Escarlate; Prometeu; O céu Verde; Arlequinada; Partida para Cítera; Boêmia Galante; Laranjeira em Flor; O Colar Partido; A Fada Bom-bom; A Flauta Encantada; Sombra; Silêncio e Sonho; No Templo e Na Oficina; Sevilha; Granada; Torres de Fanasia; Paulistânia; Guanabara;Nos Rosais das Estrelas; Fantástica; Sol das Almas; I Fioretti; Canções do meu Vergel; e outros. Apreciemos alguns de seus poemas, entre eles o mais citado, Como é bom ser bom! Como é bom ser bom! Tu, que vês tudo pelo coração, Que perdoas e esqueces facilmente, E és, para todos, sempre complacente, Bendito sejas, venturoso irmão. Possuis a graça como inspiração Amas, divides, dás, vives contente, E a bondade que espalhas, não se sente, Tão natural é a tua compaixão. Como o pássaro tem maviosidade, Tua voz, a cantar, no mesmo tom, Alivia, consola e persuade. E assim, tal qual a flor contém o dom. De concentrar no aroma a suavidade, Da mesma forma, tu nasceste bom.
  Autor: Sonia Rodrigues


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